“Quem sabe se lesses o que eu escrevo sobre ti, entenderias o mal que me causa ter que me lembrar de que me deixaste aqui, esperando por ti. É triste ver-me com a cara molhada, e o espelho já não aguenta mais isso. Não há fingimento quando estou sozinha,não há quem segure a minha mão para dizer que passou ou que me sacuda na cama para eu acordar de um pesadelo. Isso não é um pesadelo e tu brincaste comigo. Não dá para entender como alguém tem coragem disso, e olha que tu dizias ter importância para ti. Tenho pena do que tu não te importas. Não há maquilhagem que me livre de olheiras, não há remédio que me faça dormir, não há almofada com o teu cheiro e nem na minha roupa tenho mais. Tu quiseste assim, enquanto eu não queria nem dizer até amanhã. E é como se em cada linha, ficasses um pouco nas palavras e saísses de mim, eu já não suporto tamanha dor. E só assim eu desabafo o que eu tinha para dizer para ti e tu nem quiseste ouvir, é que em cada linha que ficas, é um pedaço de mim que fica livre, é uma parte que não precisa ser tirada em lágrimas. O teu excesso, dentro de mim, maltrata-me, e a tua ausência do meu corpo, destrói-me. Eu acostumo-me. Balanço-me de vez em quando a ler os textos que escrevi, tu nunca vais ver nem saber o que eu tinha para falar, tu nunca vais ter noção do quanto me fizeste sofrer e do quanto eu estou a ter que lutar para não deixar isso transparecer. Tu disseste que realmente não tinhas sofrido o que eu sofri, mas que não te sentias bem sem mim, pareces ter aprendido bem rápido… Ensinas-me como desgostar? Porque eu não sabia que “eu gosto de ti” quando ditos assim, voavam depressa até do coração. Engolir o choro também deve ser bem prático para ti que já estás acostumado a esquecer das coisas, não é? Então, ensina-me também. Bem que disseste que tinhas que ser tu, e foi. Foste tu no amor e na dor mais ainda, foste tu no meu choro e em todos os textos suplicando para não me deixares desistir, foste tu nas noites mal dormidas e nos sonhos que não se realizaram, foste tu em cada batida fraca que meu coração pulsava, porque de força já não tinha nada. Foste tu nas músicas que eu ouvia só para te lembrar, foste tu no meu pensamento que escorria pelo meu rosto cada pedaço teu, foste tu a fazer com que gostasse de ti e foste tu que me deixaste pra trás. Foste tu e ainda és, és tu quando eu não consigo parar de chorar, e quando eu já não me acho o bastante, és tu quando eu me lembro dos teus abraços e de cada sorriso que me tiravas, és tu na dor que eu sinto quando tudo isso vem a tona, és tu quando me lembro das promessas que tu nem sequer cumpriste, e nem te lembraste que não devias fazer isso. Tu estavas endividado quando disseste que promessa é dívida, tu estavas no controle e desperdiçaste tudo.
Como se no lixo coubesse sentimentos. Como se o coração ficasse perfeito depois de tantos bocados quebrados. Quando te lembrares, diz se valeu a pena só brincar, olha para o lado e vê se fizeste a escolha certa, vê uma foto minha nalgum lugar e pergunta onde foi que tu deixaste essa rapariga, depois diz se esquecer é fácil e se desgostar existe do lado de dentro nós.