Eu achava que já nada me conseguia surpreender, que a vida era sempre esta mesma rotina com as mesmas amizades e com o mesmo pensamento de que estas eram a única escapatória suficientemente boa para não pensar nas ilusões e desilusões que me apareciam à frente. Eu acreditava que os meus problemas, se tornavam lições de vida quando debatidas e pensadas seriamente em conjunto e não motivos de histórias e novelas para serem contados no dia seguinte a toda a gente que quisesse saber. Eu achava que quem estava comigo, estava de corpo e alma, de boca, nariz, ouvidos e olhos.. mas a vida mostrou-me de uma maneira quase obrigatória e inacreditável que estava só de boca. Eu achava que confiar desta forma, era como se confiasse em mim mesma, como se olhasse para o espelho e visse em outras pessoas, eu sem tirar nem pôr. As pessoas surpreendem, e da pior forma possível.. Passas a ver toda a confiança depositada posta no lixo como se não valesse nada. Como é que é possível as pessoas fingirem tão bem? Como é que é possível te darem como uma amizade garantida na frente e um motivo de falatório nas costas?
Todas as minhas dúvidas, medos e segredos ficaram expostas como um panfleto de rua para quem quisesse ler e reler.. é por isso que a partir de agora, não faço muita questão que as pessoas me conheçam a fundo, pelo menos aquelas que mal me conhecem, há pessoas que não merecem o meu coração aberto e não merecem conhecer o nosso interior tão bem como nós mesmos.. porque toda essa informação pode ser motivo de assunto. Existe mesmo gente má, consegui agora convencer-me disso, não sei o que ganham em troca, mas também não quero saber .. sei que em troca disto tudo eu aprendo a ver a vida de forma diferente, e não foi a vida que mudou.. fui eu mesma.